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sábado, 10 de março de 2012

Filologia - ADOOORO!!!

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A filologia (do grego antigo Φιλολογία, "amor ao estudo, à instrução") é a ciência que estuda uma língua, literatura, cultura ou civilização sob uma visão histórica, a partir de documentos escritos. Contudo, a abordagem científica do desenvolvimento de uma língua ou de famílias de línguas, especialmente a pesquisa da história de sua morfologia e e fonologia, tradicionalmente chamada filologia, foi englobada pelo que hoje se chama Linguística Histórica. Embora ainda haja filólogos dos mais variados matizes trabalhando na Kulturgeschichte, estudos literários e demais, a filologia hoje é principalmente associada ao estudo material e crítico dos textos. Vide as disciplinas da Ecdótica, Paleografia e Epigrafia.
Filólogos de renome que tenham rendido análises civilizacionais e/ou literárias completas (ou do Espírito, como o querem os alemães, sob a alcunha Geistgeschichte) seriam Friedrich August Wolf, Ernst Robert Curtius, Ulrich von Wilamowitz-Moellendorff, Eduard Schwartz, Wolfgang Schadewaldt, Werner Jaeger; similares, mas perlustrando também ramos outros da filologia, em variantes escalas, seriam Franz Bopp, Pierre Chantraine, Antoine Meillet, Jean-Pierre Vernant, Jacqueline de Romilly, Maria Helena da Rocha Pereira, Martin Litchfield West e Eduard Fraenkel.
A filologia aborda, portanto, problemas de datação, localização e edição de textos. Para tanto, ela se apoia na História e em seus ramos (como a história das religiões etc.), na lingüística, na gramática, na estilística, mas também em disciplinas ligadas à arqueologia, como a epigrafia ou a papirologia.
Num registro documental o filólogo pode traçar o desenvolvimento em geral.
Nas tradições acadêmicas de várias nações, uma ampla acepção do termo filologia descreve o estudo de uma língua juntamente com a sua literatura e os contextos históricos e culturais que são indispensáveis para uma compreensão das obras literárias e de outros textos culturalmente significativos. Filologia compreende, portanto, o estudo da gramática, retórica, história, a interpretação dos autores, críticos e tradições associadas a um determinado idioma. Tal definição tão abrangente está se tornando rara, e filologia tende a referir-se a um estudo de textos a partir da perspectiva histórica da lingüística.
No seu sentido mais restrito de linguística histórica, a filologia foi uma das primeiras ciências do século XIX a se aproximar da linguagem humana mas deu rumo à ciência moderna da linguística no século XX, devido à influência de Ferdinand de Saussure, que argumentava que a linguagem falada deveria ter primazia. Nos Estados Unidos, o Jornal Americano de Filologia foi fundando em 1880 por Basil Lanneau Gildersleeve, um professor de Filologia Clássica na Johns Hopkins University.

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JUDIAR - PALAVRAS MAL DITAS: FILOLOGIA E PRECONCEITO -


Para o Shmil
Profª Drª Jane Bichmacher de Glasman
Doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica - USP, Professora Adjunta, Fundadora e ex-Diretora do Programa de Estudos Judaicos -UERJ, escritora.
Introdução: A viagem das palavras
Permita-me iniciar com a epígrafe de minha tese de Doutorado, citando Bialik (1979), o poeta nacional hebraico, em Lo revelado y lo encubierto en la lenguaje:
“Os seres humanos esparramam ao vento, premeditada ou inadvertidamente, abundantes palavras em incontáveis combinações, porém são muito poucos os que sabem que aspectos tinham essas palavras em seus dias de grandeza. Algumas chegaram ao mundo depois de uma grande e difícil viagem através das gerações; outras brilharam como relâmpagos e iluminaram repentina e momentaneamente o mundo inteiro, algumas passaram várias transmutações, deixando atrás de si sua estrela e aroma, outras mais serviram de vasilhas para complexos mecanismos de pensamentos profundos e sentimentos exaltados em maravilhosas permutas”.
Um estudo etimológico possibilita a identificação da origem e da evolução das palavras. A filologia permite-nos seguir a trajetória histórica do desenvolvimento de uma língua, estudar sociedades e civilizações através de seu legado escrito. Vários vocábulos da língua portuguesa receberam conotação negativa, devido a processos históricos, sociológicos e culturais, tendo ficado assim perpetuadas no idioma.
Seu uso popular, literário ou na mídia, desvincularam-nos de sua origem semântica, tendo sido usados e consagrados de forma pejorativa e preconceituosa, a despeito da vasta gama de possibilidades sinonímicas.
Alguns exemplos: judeu, judiar, judiação, judiaria, marrano
Os dicionários oferecem-nos uma mostra destas possibilidades, através da polissemia. Utilizo a seguir Houaiss (2001) e Aurélio (Ferreira, 1986), em paralelo:
Houaiss Aurélio
Judeu adj. 1. relativo à antiga tribo de Judá ou indivíduo dessa tribo 2. relativo ao antigo reino hebreu de Judá (c 930-586 aC), na Palestina meridional, ou o que é seu natural ou habitante 3. Relativo à Judéia, região meridional da Palestina (sob o domínio persa, helênico ou romano) ou o que é seu natural ou habitante 4. relativo a ou descendente do povo originado dessa tribo, desse reino ou dessa região; hebreu, israelita 5. individuo nascido de mãe judia, ou de pai e mãe judeus; israelita 6. que ou aquele que segue a religião e/ou a tradição judaica; hebreu, israelita 7. judaico 8. individuo nômade;cigano9.Pej Pessoa usurária, avarenta 10.AM o natural ou habitante da Síria 11. nos trabalhos de mineração, feixe de capim, com pedras dentro, com que se formam tapumes 12. espécie de bolo de milho 13. MG espécie de virado de frango ao molho pardo, lombo de porco, arroz ou angu 14. MG ceia, refeição da noite15. betara16. SC alcunha dada pelos conservadores, ditos cristãos, aos liberais. Judeu do lat judaeu Adj.1.Da ou pertencente ou relativo à Judéia (Ásia).2.De ou pertencente ou relativo a Israel (Ásia): israelense. 3. Judaico 4. Natural ou habitante da Judéia. 5. Natural ou habitante de Israel; israelense. 6. Aquele que segue a religião judaica. 7. Pop. Indivíduo mau, avarento, usurário. 8. Espécie de virado ou tutu de feijão. 9. Bras.Espécie de bolo de milho. 10. Bras AM. Pop Sírio (2).11. Bras, MG cigano (1).12. Bras, MG Ceia (1): "As negras fazem para nós um judeu de frangos de molho pardo, lombo de porco, arroz e angu." (Helena Morley, Minha Vida de Menina, p. 32.) 13. Bras, SCAlcunha que os conservadores, ditos cristãos, davam aos liberais. 14. Bras. papa-terra (3). (fem. (nas acep. 1 a 7 e (bras.) 10 e 11): judia.] .
Judiar 1.judaizar adotar práticas judaicas 2. t.i. (1789) tratar com escárnio; zombar j. com a infelicidade alheia 3. t.i(1881) tratar mal, física ou moralmente; atormentar, maltratar: tem uma alma perversa, judia dos animais judiava dele provocando-lhe ciúmes Judiar. De judeu+i+ar2, 'tratar como antigamen­te se tratavam os judeus': escarnecer,maltratarvt.i.1.Escarnecer, mofar, zombar: judiar com alguém. 2. fazer judiaria2;fazer sofrer;atormentar, maltratar: judiar dos animais;
Judiação ato de judiar, de fazer de alguém alvo de escárnio ou de maus-tratos; judiaria etim judiar + -ção; ver judeu Judiação. S. f. Bras. V. judiaria2.
Judiaria s.f. (1529 Atenr 86) 1. grande número de judeus; judaria 2. bairro de judeus 3. (1858) fig. Ato de zombar de alguém; chacota; judiação, zombaria 4. fig. Ato de maltratar alguém, física ou moralmente; judiação # etim judeu + ária judiaria1. [De judia + -aria.] sf 1. Grande porção de judeus. 2. Bairro destinado aos judeus. judiaria2. [De judiar.] s f. Ato de judiar; maus-tratos; apoquentação. (Sin. Bras.: judiação.]
Marrano adj.s1. na Espanha e em Portugal, designação injuriosa que se dava outrora aos mouros e esp. aos judeus batizados, suspeitos de se conservarem leais ao judaísmo2. imundo, excomungado3. gado de má qualidade 4. porco de engorda, já crescido #etim Marrano (965) porco, cristão novo,designação pejorativa dada na Espanha aos judeus mouros convertidos, suspeitos de se conservarem fiéis às suas religiões por causa da repugnância à carne do porco alimento não permitido pelo judaísmo e islamismo ar Muharam coisa proibida Marrano. [Do esp. marrano] Adi. e s. m. 1. Diz-se de, ou designação injuriosa dada outrora aos mouros e judeus. 2. Diz-se de ou indivíduo excomungado, sujo, imundo, porco. 3. Bras RS. Diz-se de ou gado ruim.
A discussão sobre o que é “judeu”, apenas em termos filológicos, seria de tamanho incomensurável. Cabe, portanto, neste espaço limitado, somente uma crítica à definição de Aurélio, ao confundir, incorretamente, judeu com israelense. Indubitavelmente, judeu NÃO é sinônimo de israelense!
Acresça-se a surpreendente possibilidade polissêmica das definições 8 a 16 de Houaiss e das de 8 a 14 de Aurélio (sendo a 9 de Houaiss, correspondente ao uso pejorativo, como o 7 de Aurélio).
Assim, “judeu” é identificado no imaginário popular e perpetuado no vernáculo e nos dicionários, como “nômade, avarento, usurário, mau”. Nosso espaço, neste trabalho, não permite esclarecer as origens medievais da exclusão sócio-econômica dos judeus no mundo cristão, levando muitos, por falta de opção, a dedicarem-se a atividades de câmbio, comércio e empréstimo (origem das atuais estruturas bancárias) e suas constantes andanças devidas à impossibilidade de sua fixação como judeus dentro das estruturas feudais estabelecidas, seja para sua sobrevivência econômica, ou - principalmente - devido às suas constantes expulsões do mundo europeu medieval.
As outras definições citadas contêm um ambíguo significado relativo à comida, que abrange o legado de marranos e de judeus, cujas perseguições e expulsões, deveram-se, em grande parte, aos famigerados ‘libelos de sangue’ e ‘acusações de assassinatos rituais’: judeus eram acusados de, entre outras práticas macabras, matar crianças cristãs para fazer matzot (pães ázimos), sendo que uma regra básica da kashrut (leis alimentares judaicas) proíbe a ingestão de sangue, além do consumo de animais como o porco (como observamos em marrano, com o mesmo caráter antitético). Chega a ser tragicômico que as definições transformem ‘judeu’ em “refeição completa”: prato típico, sobremesa e ceia!
As definições dos verbetes judiar, judiação e judiaria, demonstram um percurso histórico subliminar, transformando os judeus de vítimas em algozes - tendo assim se fixado e permanecido no imaginário vocabular do povo.
Analisando os vocábulos, seguindo seu percurso
Segundo Lesser (1985 p.37):
“No século dezenove e principio do século vinte, a maioria dos brasileiros sabia pouco a respeito dos judeus; a maior parte dos judeus sabia igualmente pouco sobre o Brasil. Se quaisquer imagens existiam entre qualquer desses grupos, elas não resultavam de contato humano; não havia ocorrido nenhuma imigração judaica significativa para o Brasil desde a Inquisição, quando os judeus tiveram que fugir da península Ibérica. Esses judeus, denominados de forma variada como judaizantes, marranos, conversos e cristãos-novos, chegaram em quantidade reduzida, para escapar das perseguições econômicas, sociais e religiosas da Igreja e da Coroa. Sua presença, contudo, jamais incentivou uma imigração judaica em larga escala para o Brasil colonial, mesmo apesar de os cristãos-novos poderem ter constituído 20% da população branca da capital colonial de Salvador, na Bahia”.
O termo “marrano” possui uma etimologia diversificada e antitética, como já foi mencionado. Unterman (1992, p.166), conceitua como “nome em espanhol para judeus convertidos ao cristianismo que se mantiveram secretamente ligados ao judaísmo. A palavra tem conotação pejorativa geralmente aplicada a todos os cripto-judeus, particularmente aos de origem ibérica. Em 1391 houve uma maciça conversão forçada de judeus espanhóis, mas a maioria dos convertidos conservou sua fé”.
Cordeiro (1994) afirma que a tradução por “porco” em espanhol tornou-se secundária diante das várias interpretações existentes na histografia do marranismo.
“Dicionários rabínicos hebraicos como o de J. Buxdorf (1640) e de Schindler (1653), assim como os mais atuais, explicam o termo como ‘consagrar a Deus, destruir, anatematizar’, com seus derivados, indicando para o árabe harama, traduzível por ‘proibir, declarar sagrado ou inviolável’”.
Também é curioso que o termo tem similares no siríaco e no etiópico. O professor Zanolini, em seu livro Lexicon Chaldaicum et Rabbinicum comenta a palavra mar, o doutor nas academias da Babilônia. “Em sua origem significa o termo siríaco (aramaico) maranath (o senhor veio), pelo qual se designa uma excomunhão de condenação muito grave, o qual leva o excomungado a ser expulso de uma sociedade e ao qual se reserva unicamente a punição divina. Queriam dizer que tal era o crime de alguém, que nesta vida, nenhum castigo ou suplício era suficiente para poder expiá-lo”.
Maeso (1977) comenta que a fórmula de excomunhão “maranata”, embora sem comprovação lingüística, pode mesmo ter sido usada pelos cristãos contra os judeus, vítima de intenso ódio dos povos espanhóis no final do século XIV e durante o século seguinte, ou seja, cerca de um século antes do decreto de expulsão dos judeus de Castela, em 1492. Graetz, em sua História dos judeus, completa essa teoria dizendo que a palavra maranata é de origem neo-hebraica, de maharam at (maharamt, em sua forma aramaica), ou seja, “você foi excomungado”, o que corresponde ao anátema, adaptado ao grego pelos primeiros cristãos. Nessa linha, o judeu espanhol e português (sefaradi) recebeu a designação de marrano, latinizando o termo.
Outro historiador a estudar o vocábulo foi Cecil Roth:
“A palavra marrano é um velho termo espanhol que data do início da Idade Média e significa porco. Aplicada aos recém-convertidos, a princípio ironicamente devido à aversão judaica `a carne de porco do citado animal, tornou-se enfim um termo geral de repúdio, que no século XVI se estendeu e passou a todas as línguas da Europa ocidental. A designação expressa a profundidade do ódio que o espanhol comum sentia pelos conversos com quem conviviam. Seu uso constante e cotidiano, carregado de preconceito, turvou o significado original do vocábulo”.
Lipiner (1977), define em Santa Inquisição: terror e linguagem:
“Marranos: As derivações mais remotas e mais aceitáveis sugerem a origem hebraica ou aramaica do termo. Mumar: converso, apóstata. Da raiz hebraica mumar, acrescida do sufixo castelhano ano derivou a forma composta mumrrano, abreviado: Marrano. Tratar-se-ia, pois de um vocábulo hebraico acomodado às línguas ibéricas. Marit-áyin: aparência, ou seja, cristão apenas na aparência. Mar-anús: homem batizado à força. Mumar-anus: convertido à força. Contração dos dois termos hebraicos, mediante a eliminação da primeira sílaba”.
Convém acrescentar que mar, em hebraico, significa amargo, amargurado e anús, violentado, forçado. Conquanto a filologia permite-nos observar o percurso dos vocábulos, estamos lidando com o percurso histórico de um povo. Ou mais, haja vista que envolve os mouros, que também eram chamados de marranos!
Utilizando as palavras de Samuel Szerman, Diretor Cultural da ACIB e da Federação Israelita do Centro-Oeste (o Shmil a quem dedico este trabalho):
“Vamos à analise dos termos judiar, judiação e judiaria. O primeiro, como poucos sabem, aí incluindo os próprios judeus, significava "maltratar os judeus". Era um verbo intransitivo. O objeto direto estava subentendido. Hoje, judiar, pela semelhança do vocábulo com judeu, judia, Judas e Judá, cria uma natural associação de idéias, considerando o judeu como o agente da crueldade. Curiosidade: Tornou-se verbo transitivo indireto. "Judiaram dele". É claro que, se o verbo pede um complemento na afirmação, está subentendido o agente.
A palavra já está tão arraigada no uso popular que há quem nem faça a associação. Entretanto, a ofensa aos judeus permanece. É subliminar. Contribui enormemente para incrementar o anti-semitismo.
Judiação pede menos explicação. É um derivado gramaticalmente correto de judiar. Gramaticalmente. Politicamente, NÃO!
Judiaria: Outra forma gramaticalmente correta que pode significar um sinônimo de judiação (...) Pouquíssimas pessoas, judias ou não, têm ciência que Judiaria era o nome dado ao bairro Judeu, tal como Mouraria era o dos mouros.
(...)a discussão sobre o sentido pejorativo ou não dos termos na berlinda não é uma questão doutrinária ou religiosa. É do idioma. É gramatical. (...) Creio que, com esta exposição, consegui explicar minha luta que reconheço quixotesca contra o uso de tais ofensas subliminares. Não tenho a pretensão de elidir do vocabulário popular esses verdadeiros palavrões. Quero, sim, suprimí-los dos principais meios de comunicação de massa. Vários jornais de elevado conceito proíbem este uso em suas páginas. Fernando Levisky, Z'L, grande brasileiro, grande judeu, grande advogado e, também, vereador no Rio de Janeiro, fez uma campanha que foi vitoriosa para eliminar termos pejorativos e/ou injuriosos contra grupos étnicos, profissionais, regionais, religiosos, etc. Se muitos de nós vigiássemos, reagindo imediatamente a esta verdadeira provocação, ainda que, às vezes, inconsciente, eliminaríamos o mau uso de tais palavras do rádio e da televisão. Finalizo dizendo que as palavras valem pelo seu sentido atual, e não, pelo histórico ou primitivo. Só se entende o significado anterior em texto da respectiva época”.
Concordo com Szerman, solidária em sua quixotesca luta, como ele mesmo define. Todavia, estando em um foro acadêmico lingüístico deste porte, ouso trazer esta questão ao mesmo, mais uma vez, apresentando propostas de esclarecimento público e de resgate do sentido original, como forma de através da filologia, eliminarmos preconceitos, conferindo-lhe um papel de mudança social positiva.
Conclusão
A linguagem é um organismo vivo, em constante transmutação e evolução. Dicionários refletem sempre posteriormente as mudanças vocabulares. A expressão “politicamente correto” vem se desgastando, tanto por seu uso irrestrito, quanto por efeitos hiperbólicos na conduta lingüística social, gerando distorções. Exemplo: hoje, no Brasil, chamar alguém de “crioulo” de forma pejorativa e discriminatória pode gerar prisão inafiançável, enquanto que matar um indivíduo negro, não necessariamente!
Usando outra expressão em voga, não proponho um “patrulhamento ideológico”, uma “caça às bruxas”-até porque esta também reflete uma perseguição inquisitorial, por ignorância ou política, como no macarthismo americano da década de 50.
Tenho plena consciência da dificuldade de eliminar preconceitos subliminares reforçados durante centenas de anos. Para citar idiomas neolatinos, em italiano utiliza-se o termo “hebraico” para se referir a judeu; em francês - “israelita”. Em português e em espanhol o uso de “judeu” e seus cognatos adquirem tamanho vigor pejorativo e teor discriminatório e preconceituoso devido aos séculos de Inquisição Ibérica e sua terminologia, que poderia ser sinônimo de morte.
Não sei se necessitaremos de mais trezentos anos para erradicar esta postura. Tampouco tenho a ilusão que um trabalho, apresentado em foro acadêmico, seja capaz de fazê-lo, por si, assim como cartas e e-mails criticando o uso indevido e agressivo, especialmente de judiar e judiação na mídia. Mas tenho clara a idéia que NÃO fazê-lo certamente NADA IRÁ MUDAR.
Concluindo, apenas a insistência, o trabalho de formiga, alertando, esclarecendo e demonstrando nosso incômodo, surtirá, a longo prazo, os efeitos sociais desejados.
Referências Bibliográficas
BIALIK, J. N. Lo revelado y lo encubierto en el linguaje. In: Ariel nº 50, Jerusalém, Jerusalém Publishing House, 1979.
CORDEIRO, Hélio Daniel. Os Marranos e a Diáspora Sefaradita. São Paulo: Israel, 1994.
FERREIRA, Aurélio B. de H. Dicionário da Língua Portuguesa. RJ: Nova Fronteira, 1986.
HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de J: Objetiva, 2001.
LESSER, Jeffrey. O Brasil - a questão judaica. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
LIPINER, Elias. Santa Inquisição: Terror e linguagem. RJ. Documentário, 1977.
MAESO, David. “Etimologia do vocábulo marrano” In:Os Marranos. SP: CEJ, 1977.
SZERMAN, Samuel. Judiar, judiação, judiaria. Texto enviado por e-mail em 20/07/2003.
ROTH, Cecil (ed.) Enciclopédia Judaica. Rio de Janeiro. Tradição, 1967.
UNTERMAN, Alan. Dicionário Judaico de Lendas e Tradições. RiJ: Zahar, 1992.

A Balada do Cachorro Louco

Eu não alimento nada duvidoso
Eu não dou de comer a cachorro raivoso
Eu não morro de raiva
Eu não mordo no nervo dormente
Eu posso até não achar o seu coração
E talvez esquecer o porquê da missão
Que me faz nessa hora aqui presente
E se a minha balada na hora h
Atirar para o alvo cegamente
Ela é pontiaguda
Ela tem direção
Ela fere rente
Ela é surda, ela é muda
A minha bala, ela fere rente
Eu não alimento nenhuma ilusão
Eu não sou como o meu semelhante
Eu não quero entender
Não preciso entender sua mente
Sou somente uma alma em tentação
Em rota de colisão
Deslocada, estranha e aqui presente
E se a minha balada na hora então
Errar o alvo na minha frente
Ela é cega, ela é burra
Ela é explosão
Ela fere rente
Ela vai, ela fica
A minha bala ela fere rente

COMUM-DE-DOIS GÊNEROS

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  Singular Plural
Comum aos dois
géneros/gêneros
comum-de-dois comuns-de-dois
co.mum-de-dois
  1. (Linguística) diz-se do substantivo que tem dois valores de gênero possíveis, sendo que a escolha de um valor não tem consequências morfológicas (a palavra mantém-se inalterada independentemente do gênero) mas tem consequências sintáticas, pois este substantivo tem a capacidade de desencadear alterações morfológicas nas palavras que com ele concordam
    • o intérprete/a intérprete, o jurista/a jurista

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SOBRECOMUM

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Índice

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[editar] Adjetivo

  Singular Plural
Comum aos dois
géneros/gêneros
sobrecomum sobrecomuns
so.bre.co.mum uniforme
  1. sobrenatural; diz-se daquilo que excede as forças ou leis da natureza
  2. (Gramática) classificação dos substantivos que possuem um único gênero mas podem referenciar criaturas humanas, tanto do sexo masculino, como do feminino

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  • AFI: \so.bre.ko.'mũ\

[editar] Nuvola apps bookcase.svg Etimologia

De sobre- + comum

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EPICENO: PARA ANIMAIS E VEGETAIS TAMBÉM

epiceno

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Índice

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Singular Plural
Masculino epiceno epicenos
Feminino epicena epicenas
e.pi.ce.no
  1. aquilo que é comum aos dois sexos
  2. (Gramática) classificação do substantivo que se refere a animais e algumas plantas e tem apenas uma forma para ambos os gêneros, sendo que a distinção de sexo é feita pelo acréscimo de macho e fêmea

[editar] Substantivo

Singular Plural
Masculino epiceno epicenos
e.pi.ce.no
  1. substantivo que se refere a animais e algumas plantas e tem apenas uma forma para ambos os gêneros

[editar] Nuvola apps bookcase.svg Etimologia

Do latim epicoenus e este do grego ἐπίκοινος (comum).

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segunda-feira, 5 de março de 2012

É FANTÁSTICO - Uma jovem brasileira, filha de agricultor no interior de Minas Gerais, quer ser médica. Ela passou em 12 vestibulares.



Em uma rua de casas humildes, uma faixa chama a atenção de quem passa. Júlia passou em 12 universidades. Para um dos cursos mais disputados: Medicina.

“Às vezes as pessoas me perguntam: ‘Por que você fez esse tanto de vestibular?’ Eu fiz esse tanto de vestibular porque medicina é assim eu ouvi vários casos de que a pessoa deixou de passar porque o último colocado ficou um décimo na frente dele”, contou a estudante Júlia de Oliveira Campos.

Entre as 12 universidades, Júlia escolheu uma das mais conceituadas do Brasil. “Qualquer aluno que pensa em estudar medicina pensa na USP. É onde você vai ter mais oportunidades”, diz Júlia.

Por trás da vitória, uma família que batalhou muito. O pai dela, Seu Lincoln, é lavrador na pequena cidade de Paracatu, em Minas Gerais. “Como uma pessoa hoje vai competir nesse mundo sem saber inglês, sem saber espanhol, sem ter acesso a livros, sem ter acesso à internet? Isso é muito difícil. Mas a gente fura um buraco no cinto, arrocha ele e vai embora”, disse o lavrador Lincoln Campos.

O esforço do Seu Lincoln foi recompensado. Júlia está de malas prontas para conhecer a cidade onde vai se tornar médica. “O dia que ela sair por aquela porta não volta nunca mais. A gente só pode ajudar, mas o objetivo era esse mesmo. Acho que está cumprido”, afirmou Lincoln.

O estudo também ajudou a Tábata, de São Paulo, a vencer as dificuldades. A mãe é vendedora de flores. O pai, cobrador de ônibus. E a Tábata, campeã das Olimpíadas do Conhecimento. Ela passou no vestibular de física da USP. Mas sonha mais alto.

“Eu apliquei pra dez universidades americanas: Harvard, Yale, Stanford, Columbia e por aí vai. E todos os resultados vão sair entre março e abril”, contou Tábata Amaral de Pontes, 18 anos.

Enquanto Tábata ainda espera os resultados das universidades americanas, Gustavo Haddad Braga, de 17 anos, já comemora. Ele foi aprovado em Harvard. Vai estudar em uma das melhores universidades do mundo. “Quando recebi a notícia da aprovação, eu pulei da cadeira e abracei todo mundo”, disse Gustavo.

A Júlia se preparou para o vestibular estudando 12 horas por dia. “Eu ficava mais de 5 horas na escola. E fora da escola eu estudava mais sete horas”, contou a estudante.

Dá para conciliar a vida social e ter sucesso nos estudos. A neurocientista e diretora da Rede Sarah, Lúcia Willadino, dá dicas: “Reveze o estudo das matérias. Faça pausas a cada 50 minutos, levante, tome um copo d’água, com isso você não vai perder tempo, e sim ganhar, porque você volta a concentrar a atenção. Exercite o cérebro aprendendo diferentes assuntos, como arte, leitura, tudo isso é importante”.

domingo, 4 de março de 2012

Eulalia...

A língua de Eulália, a novela sociolingüística,
Marcos Bagno, Editora Contexto, 1997
por Silvana Duarte
Publicada em 1997, a obra sociolingüistica de Marcos Bagno, A Língua de Eulália, procura mostrar que o uso de uma linguagem 'diferente', nem sempre pode ser considerado um "erro de português". O modo estranho das pessoas falarem pode ser explicado por algumas ciências como a lingüistica, a história, a sociologia e até mesmo a psicologia.
Embora a nossa tradição educacional negue a existência de uma pluralidade dentro do universo da língua portuguesa, e não aceite que a norma padrão é uma das muitas variedades possíveis no uso do português, a "língua portuguesa" está em constante modificação e recebe, notadamente, a influência de palavras pertencentes a outros idiomas, principalmente dos imigrantes que chegam a todo momento no país, entre eles portugueses, americanos, japoneses, alemães e italianos.
A obra faz parte da coleção Caminhos da Língüística e conta a história de três estudantes universitárias dos cursos de Psicologia, Letras e Pedagogia que escolhem a chácara de sua professora Irene, em Atibaia -SP, para passar as férias escolares. No decorrer dos dias, as jovens vão se integrando cada vez mais com a professora em situações pouco acadêmicas, desenvolvendo conhecimentos e observações diferentes dos aprendidos em sala de aula, tendo oportunidade de reciclar, com diferentes padrões, os vários conceitos da língua portuguesa.
Em diálogos e observações sobre o modo de falar de Eulália - a empregada e amiga de muitos anos de Irene -, as jovens aprendem, perplexas, que palavras pronunciadas de forma considerada errada, como "os fósfro", "os home", "as pranta", "os broco", "as tauba", "os corgo", "a arvre", "trabaiá", o "R caipira", "tamém", além da "língua de índio" - Mim fazer -, são; na verdade formas diferentes de pronúncia, e que não podem ser vistas pelos educadores como "erradas" ou "pobres", mas sim diferentes do padrão vigente (pobres são aqueles que as pronunciam, e errada é a situação de injustiça social em que vivem).
Apesar de ser considerado como "erro" por muitas pessoas, no português-padrão, que é tido como o 'correto', existem alguns verbos que têm dois particípios passados, sendo um deles com uma forma mais reduzida, como o verbo aceitar, que pode ser pronunciado como aceitado ou aceito; entregar, que pode ser conjugado como entregado ou entregue; gastar, que pode ser utilizado como gastado ou gasto, além dos verbos pagar onde as formas pagado ou pago são encontradas, e salvar, também visto como salvado ou salvo.
A professora Irene, que também é Doutora em Lingüistica, chama a atenção das estudantes para que reflitam se realmente a língua que se fala no Brasil é o português; uma vez que os brasileiros não compreendem o português do século XII e nem o português falado em Portugal. A conclusão a que chegam é que o nosso "português" não existe, por ser uma língua formada por muitos outros idiomas e dialetos, totalmente mutáveis e variáveis.
Ela explica que o que existe na verdade, são variações do português. Em diferentes regiões do país o português é falado com sotaques e características muito próprias, mas a norma padrão, com uma ortografia oficial, definida pela Academia Brasileira de Letras, é uma só, para ser seguida em todo o país.
Essa imposição marca a diferença entre a língua falada, que nem sempre segue o padrão imposto por lei, e o português-padrão, chamado também de norma 'culta'. Enquanto o português-padrão é aprendido nas escolas, e é aquele usado na linguagem escrita, o português-não-padrão é passado de uma geração para outra, oralmente.
As regras do português-não-padrão são apreendidas quase naturalmente, por imitação. É uma linguagem mais funcional, que trata de eliminar as regras desnecessárias. É uma linguagem inovadora, que se deixa levar pelas forças vivas de mudança.
Por outro lado, o português-padrão é muitas vezes redundante, necessita de muitas regras para dar conta de um único fenômeno. É conservador, demora muito para aceitar qualquer tipo de novidade e por essa razão se mantém inalterado por um tempo muito longo.
No livro, a professora Irene considera ainda que, devido às imposições da norma culta da língua portuguesa, pode-se observar muito mais semelhanças do que desigualdades na comparação entre o português-padrão e o não-padrão. Essas semelhanças podem ser vistas principalmente em traços lingüísticos, como os verificados em um falante escolarizado da região Sul, que pode se comunicar perfeitamente com um analfabeto do Norte do país. Esse mesmo analfabeto terá grandes dificuldades em entender uma linguagem mais padronizada. Mas isso não significa que não tenha capacidade para aprender regras gramaticais, o que depende, em parte, da maneira de ensinar na escola que ele vier a freqüentar.
Entre outras coisas, o livro A Língua de Eulália mostra que na comparação entre o português-padrão e o português-não-padrão o maior preconceito apontado não são exatamente as diferenças lingüisticas que prevalecem, mas sim, as diferenças sociais, mostrando que esses preconceitos são comuns, como por exemplo o étnico: o índio "preguiçoso", o negro "malandro", o japonês "trabalhador", o judeu "mesquinho", o português "burro"; o sexual: a valorização do "macho"; o cultural: o desprezo pelas práticas medicinais "caseiras", além dos socio-econômicos: como a valorização do rico e o desprezo pelo pobre; entre outros.
Desvendando a sociolingüistica de maneira especial, o autor se preocupa em transmitir através desta obra, que por mais estranhas que possam parecer certas pronúncias, por mais incompatíveis que sejam com o português padrão que aprendemos na escola, cada uma dessas palavras têm uma origem perfeitamente explicável dentro da história da língua portuguesa.
A Língua de Eulália conduz o leitor a uma verdadeira "viagem ao País da Lingüistica", e ajuda a entender mais a nossa língua portuguesa.

Atualizado em 10/08/01
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Significado do nome Eulalia

Origem do Nome Eulalia

Qual a origem do nome Eulalia: GREGO

Significado de Eulalia

Qual o significado do nome Eulalia: BEM FALANTE.

Significado e origem do nome eulalia - Analise da Primeira Letra do Nome: E

Muita inteligencia e poder de comunicação, apontam para sua necessidade de falar, embora nem sempre diga tudo o que lhe vem à cabeça. Segue sempre movido pela razão, e se enfurece quando é desmentido ou contrariado. Sempre pensa muito, e isso interfere na concentração do que está fazendo. Pode vir a ser um excelente escritor, advogado ou professor. Mas para isso deve aprender a controlar seu nervosismo e se observar para não virar um tagarela.

sexta-feira, 2 de março de 2012

PROSÓDIA E ORTOÉPIA - EXERCÍCIO DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA E CLASSIFICAÇÃO TÔNICA

OBS: PROSÓDIA E ORTOÉPIA


1. Acentue as palavras abaixo (QUANDO NECESSÁRIO)  
e depois classifique com as letras: A – B – C  


A = OXÍTONA
B = PAROXÍTONA
C = PROPAROXÍTONA

ACROBATA
AEROLITO
ALCOOLATRA
ANTÍDOTO
ARIETE
AUSTERO
AUTODROMO
AVARO
BOEMIA
CARACTERES
CARATER
CARTODROMO
CHARCO
CHEIO
CHUMAÇO
CICLOPE
CONDOR
CRISANTEMO
DECADA
ERUDITO
EXODO
FILANTROPIA
GIBRALTAR
GRATUITO
HIEROGLIFO
LATEX
MAQUINARIA
NIAGARA
NOBEL
OCEANIA
ORTOGRAFIA
PEGADA
POLIGLOTA
PRIMATA
PSICOLOGIA
PSICOLOGO
PUDICO
QUADRUPEDE
RECEM
RECORDE
REFEM
RUBRICA
RUIM
SUTIL
TEXTIL
TULIPA
URETER
VERMIFUGO
 

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É O QUE TEM PRA HOJE: "POUCO PAPO E SÓ... SU-CEEEEEEES-SO!!!"



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